Lula defende união e afirma que América Latina só ganhará força com integração
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a América Latina e o Caribe apenas conseguirão enfrentar seus desafios históricos se atuarem de forma integrada.
A declaração foi feita nesta quarta-feira (28), durante a abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, realizado no Panamá.
Convidado especial do evento, o presidente brasileiro foi o segundo a discursar, logo após o presidente do Panamá, José Raúl Mulino.
A previsão é de que Lula retorne ao Brasil ainda nesta quarta-feira. O Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe segue até o dia 30.
Segundo o presidente, a cooperação regional é fundamental para ampliar a relevância dos países latino-americanos no cenário global.
“Seguir divididos nos torna todos mais frágeis”, afirmou.
O presidente ressaltou que o avanço da integração depende do compromisso das lideranças políticas com mecanismos institucionais capazes de conciliar, de forma equilibrada, os diferentes interesses nacionais.
Para Lula, ainda falta convicção entre os governos sobre as vantagens de um projeto mais autônomo de inserção internacional.
Riquezas da América Latina
Nesse contexto, ele chamou atenção para riquezas pouco exploradas que podem impulsionar o desenvolvimento regional. Entre eles, citou o vasto potencial energético, com reservas de petróleo e gás, geração hidrelétrica, biocombustíveis e fontes renováveis como energia nuclear, eólica e solar.
Lula também destacou a presença da maior floresta tropical do planeta, a diversidade de solos e climas e os avanços científicos e tecnológicos que sustentam a produção de alimentos.
Além disso, mencionou a abundância de recursos minerais, incluindo minérios críticos e terras raras, considerados essenciais para a transição energética e digital.
“Minerais críticos e as terras raras só têm sentido se for para enriquecer os nossos países, e se tivermos coragem de construir parcerias, gerando riqueza, emprego e desenvolvimento em nossos países”, complementou.
Mercado consumidor
O presidente lembrou ainda que, somados, os países latino-americanos e caribenhos representam um mercado consumidor de mais de 660 milhões de pessoas.
Destacou também a ausência de conflitos graves entre os países participantes do fórum e o fato de que, majoritariamente, seus governos foram eleitos de forma democrática.
“A América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calcada na pluralidade de opções. Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém”, disse.
Ao concluir, Lula afirmou que nenhum país da região conseguirá resolver seus problemas de forma isolada.
“Temos 525 anos de história. Muitas vezes a colonização não estará na interferência de outro, mas na formação cultural que o nosso o povo teve. Precisamos mudar de comportamento. Vamos criar um bloco. Um bloco que possa dizer que a gente vai acabar com a fome em nossos países”, concluiu.
